Fundetec e Biolabore capacitam incubadas e cooperados sobre produção de alimentos sem adição de açúcar

Redigido por: Assessoria

A busca por hábitos mais saudáveis já é realidade na vida de muitas pessoas. Introduzir essa prática desde a infância é o objetivo do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) que por meio da resolução Nº 6, de 8 de maio de 2020, garante esse benéfico a crianças de até dois anos que frequentam centros de educação. Diante das novas regras, a Fundetec (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico) em conjunto com a Biolabore Cooperativa de Trabalho e Assistência Técnica do Paraná realizou na última semana um curso para as incubadas da Fundação e cooperados sobre produtos sem adição de açúcar no âmbito da merenda escolar.

Para a nutricionista e especialista em gestão da qualidade dos alimentos, Adriana Hernandes Martins, a estratégia adotada pelo governo federal é fundamental para diminuir as altas taxas de doenças crônicas degenerativas causadas pelo consumo excessivo de sacarose e gorduras saturadas. “Por conta do leite materno, o doce é o primeiro paladar que nós temos contato ao nascer e isso fica apegado em nossa memória afetiva. Então quanto menor for o acesso, mais facilmente a criança vai aceitar uma alimentação saudável no futuro. É matar, literalmente, o mal pela raiz e a escola tem um papel importante de levar informação para o público que a frequenta e seus lares”, destacou a profissional responsável por ministrar o curso.

O treinamento foi dividido em duas etapas, pela manhã a aula teórica foi baseada na importância dos alimentos e na nova resolução. A tarde, a turma colocou a mão na massa, produzindo cookies, bolinhos e pães integrais, além de geleias de diversos sabores, como maça com abóbora, uva com banana, manga com maracujá, morango, jabuticaba, entre outras. Todas as receitas serviram de demonstração de que é possível comer doce de uma forma saudável. “Pudemos observar nessa aula prática que o doce está presente, mas ele não ressalta. O açúcar é um tempero e o objetivo dele é destacar o sabor do alimento e não sobrepô-lo”, pontuou Adriana.

Para Cleice Jandrey Vieira que trabalha no setor de panificação da incubada COPCRAF, o treinamento irá agregar muito em seu trabalho, pois a empresa é responsável por entregar alguns alimentos da merenda nas redes estadual e municipal da cidade. “Achei interessante o curso, aprendemos receitas sem açúcar e agora com a nova exigência vai ser um grande desafio porque realmente é difícil fazer uma geleia ou um pão se açúcar. O curso veio para agregar”, disse a aluna.

Produtores rurais

De acordo com a nutricionista, Adriana Hernandes, a nova resolução irá afetar os agricultores que oferecem alimentos para a merenda escolar, pois terão que buscar outras alternativas de produção. “Não é só mais uma orientação que se faça, olha retira o açúcar, hoje vem com força de lei. A mudança de postura vai ser uma exigência a partir de agora e isso afeta os produtores. O objetivo desse curso é para abrir um pouco a mente, criar novas possibilidades porque elas são imensas. Voltar a testar as combinações de sabores dos alimentos nas receitas para que surjam outras excelentes que tenham aceitação do público infantil”.

A Biolabore é uma sociedade cooperativa do ramo de trabalho, de natureza civil e de responsabilidade limitada, composta por técnicos e engenheiros em alimentos que acompanham produtores rurais associados em todo o Paraná. A tecnóloga em alimentos, Andressa Padilha Marca, atende agroindústrias na região de Cascavel e Matelândia e algumas delas oferecem alimentos para a merenda escolar, portanto, ela será responsável por levar todo o conhecimento adquirido a essas propriedades. “A resolução trouxe inovação dentro do mercado de panificação e de geleias. Vamos trabalhar com os produtores rurais para trazer uma nova visão e diminuir o açúcar que é o principal vilão da alimentação das crianças”, comentou Andressa.

Análises dos produtos

Por serem produtos recém criados, os alimentos que foram preparados durante a aula prática passarão por uma análise no laboratório Físico-Químico da Fundetec. “Por serem novos não há muita pesquisa sobre, principalmente a questão da data de validade. O açúcar atua também como um conservante, ou seja, provavelmente esses produtos terão uma data de validade menor dos que contém açúcar. Agora, durante 15 dias vamos fazer algumas análises pra verificar se eles estão deteriorando ou não, ver o crescimento dos microrganismos e variação da acidez”, explicou o engenheiro químico, Frederico Lovato.