Biodiesel - Energia extraída do grão

A produção de biocombustível é uma das formas de utilizar fontes de energia renováveis em favor da sociedade. Pensando nisso, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) desenvolve há aproximadamente três anos, o projeto “Aproveitamento da Biomassa para Geração de Energia” que realiza a extração do óleo derivado do grão de soja para transformá-lo em biodiesel, e também utiliza o óleo residual de cozinha e da própria soja para a produção deste biocombustível.

Coordenado pelo professor Reginaldo Ferreira Santos, a pesquisa acontece no Laboratório de Biocombustível da Unioeste, em parceria com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em um espaço dentro do Centro de Desenvolvimento e Difusão Tecnológico em Energias Renováveis (CDTER), localizado na Fundação Para o Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico de Cascavel (Fundetec).

O CDTER conta com uma máquina extrusora de grãos para a extração a frio de óleo e farelo. Esse procedimento tem como objetivo a caracterização e aplicação de resíduos resultantes do processo como alimento de animais e fonte de energia. Além disso trata-se de uma usina piloto para a produção experimental de biodiesel.

O projeto é desenvolvido por alunos do curso de Mestrado da Unioeste, que trabalham em várias frentes atendendo toda a cadeia produtiva do Biodiesel. Segundo o pesquisador do CDTER e aluno do Mestrado, Cristiano Fernando Lewandoski, o programa possibilita o desenvolvimento de outras pesquisas, que vão desde a produção da matéria prima até o desenvolvimento automotivo das máquinas de extração da soja. “Acredito que a parceria com a universidade, os empresários e produtores comprova e certifica a viabilidade do Biodiesel”, afirma o pesquisador exaltando a importância do uso do Biodiesel.

TRANSFORMAÇÃO

O projeto é dividido em duas partes. A primeira consiste na extração do óleo do grão de soja que também é transformado em Biodiesel. Já a segunda é a transformação do óleo residual de cozinha em Biodiesel.

Para a produção do combustível, a soja - fornecida pelos produtores - passa por um processo de separação, em que o grão inserido resulta em dois produtos. O primeiro é o óleo de soja que é utilizado pela Unioeste para a produção do Biodiesel; e o segundo é o farelo de soja, que é devolvido aos produtores para a alimentação de animais.

“Temos parceria com alguns produtores em fase piloto. O produtor tem o grão de soja, mas não pode fornecê-lo diretamente para os animais. Ele precisa do farelo de soja. Para isso é necessária a extração do óleo da soja e, como temos a máquina, fazemos essa separação. O produtor leva o farelo e deixa o óleo para produzirmos o biodiesel, que é utilizado no aquecimento das piscinas da clínica de fisioterapia”, conta o professor Flávio Gurgacz um dos orientadores do projeto.

Para o produtor rural o retorno é satisfatório uma vez que o valor nutricional deste farelo de soja - que tem cerca de 7% de óleo - é maior do que o produto comprado no mercado. “Os animais parecem preferir esse farelo em relação a outros. Aquele que vem de fornecedores comerciais normalmente é mais seco e tem um cheiro não tão agradável, enquanto o produzido pelo projeto é mais úmido, por conta da maior quantidade de óleo, e tem cheiro melhor. Além disso, o valor nutricional é visivelmente superior” conta o produtor e engenheiro agrônomo Helmuth Bleil, que usa o farelo para a ovinocultura.

Além da matéria-prima fornecida pelos produtores rurais, o projeto também conta com o apoio da Receita Federal, que fornece soja apreendida em operações de fiscalização, para a criação do biocombustível. O grão passa pelo mesmo processo, mas o farelo é então comercializado. O dinheiro arrecadado se transforma em recurso para adquirir os demais produtos para o programa, com apoio da FUNDEP. 

A outra etapa do projeto utiliza o óleo residual de cozinha como matéria-prima para a produção do biodiesel. Para conseguir arrecadar esse óleo, a Unioeste, em parceria com a Sanepar, conta com pontos de coleta, onde a população pode depositar o óleo que pretende descartar – produto que, caso seja depositado em local inadequado, pode ser prejudicial ao meio ambiente. Em média mil litros de óleo residual de fritura são acumulados a cada 120 dias. Há uma estimativa de que, a cada litro de óleo de fritura que é escoado pelas galerias pluviais, 20 mil litros de água potável são contaminados.

Além da produção do biocombustível, esse óleo também pode ser utilizado para a criação de produtos de limpeza, como sabão e detergente. Em um dia é possível produzir até 600 litros de biodiesel - número ainda pequeno, mas que consegue atender parcialmente a demanda necessária para o aquecimento das caldeiras da piscina. Segundo Professor Flávio, um dos principais problemas é a dificuldade em armazenar o biocombustível, já que o biodiesel não pode ficar estocado por um tempo muito grande.

“Como produzimos pouco, acumulamos esse biodiesel e o consumimos o mais rápido possível. Então, quando fazemos a extração, acumulamos esse óleo durante um determinado tempo, até reunir uma quantidade suficiente para transformá-lo em biodiesel, e consumimos o biocombustível no menor tempo possível. Mas o grande problema é mesmo o armazenamento, já que a utilização pode ser feita em um período de tempo que também não é muito grande”.

MEIO AMBIENTE

O biodiesel é um dos biocombustíveis mais utilizados no mundo, sendo menos poluente do que o diesel tradicional. Proveniente de várias fontes de matéria prima, ele é formado por ésteres de ácidos graxos e ésteres alquila de ácidos carboxílicos de cadeia longa.

Apesar de também haver emissão de CO2 durante a utilização do biodiesel, estudos apontam que essa emissão é 80% menor do que a do diesel tradicional. Além disso, é um combustível renovável e que não emite gases fosseis que são prejudiciais à saúde humana. Isso faz com que o biocombustível seja uma das principais formas de preservação do meio ambiente.

AUTOMAÇÃO

A empresa BindGalvão forneceu uma prensa extrusora industrial para o projeto, e a Siemens alguns componentes para o equipamento que auxiliam no desenvolvimento de uma parte da pesquisa que busca automatizar esse equipamento para a empresa. Além da automação outros estudos acadêmicos vêm sendo realizados com o intuito de melhorar o desempenho do equipamento para extração de óleo e produção de farelo. “Essa parceria com a Unioeste agrega muito ao produto, pois os pesquisadores conseguem valorizar o seu potencial, dando maior certificação a ele”, comenta o idealizador da máquina o empresário Paulo Roberto Galvão.

Texto: Bruno Rodrigo